segunda-feira, 20 de março de 2017

a saudade é o prego

O que a gente faz com saudade? Quando ela ocupa uma sala toda e a gente nem pode falar da saudade?
A gente vai sufocando e sofrendo.
Não estou num sofrimento propriamente dito. É que eu sou dramática mesmo.
Não estou num sofrimento mais pela minha maturidade do que pela situação.
Veja, eu poderia estar sofrendo. E, talvez, se tivesse lido um número sem-fim de textos que fincam a bandeira do direito de se apaixonar e quebrar a cara e criar expectativas, eu teria alguns lenços encharcados de lágrimas. Teria me entregue sem olhar pra nada.
Mas a gente cresce e vai aprendendo que é OK sofrer, mas vamos tentar ter um pouco de parcimônia.
E é difícil porque é NOVO, o sentimento é velho mas é novo. sabe?!
Quando eu era adolescente, achava aquela música do Titãs um abuso. É preciso saber viver? E alguém sabe? Vamos vivendo, sendo porra louca e... não.
Então que eu estou num sofrimento de Schrödinger, sofrendo e não sofrendo, viva e morta, só não abre a caixa. Deixa a dúvida, a neblina da paixão suspensa.
É paixão, pronto escrevi. Depois que a gente escreve a primeira vez, solta o monstro da coleira né?!
O famoso prontofalei.
Prontofalei.
Saudades do cabelo ainda úmido, do sorriso, da voz, da presença A PRESENÇA minha e dele, uma presença que ocupa tanto espaço. A consciência da presença que sufoca a gente. Os olhares que trocamos e que não trocamos. O coração cheio. O fim do dia. O fim de semana. O começo das brincadeiras e de confidências bobas.
Tá parei.
Só acho engraçado que...

Nah.
Eu acho que tem saudades do lado de lá do fuso. No outro ainda.
Nas mensagens que chegam de madrugada com qualquer empolgação ingênua, corriqueirices, perguntas do lado de cá e provocações. Como você tá? E a vontade de falar "eu tô com saudades, eu só tô com saudades". Eu trouxe o que vc me emprestou, eu carrego todo dia. E coisas assim, que eu quase escrevo com naturalidade pra você, porque eu sinto fluir de mim pra você, de você pra mim. E pode ser tudo uma grande ilusão da minha parte, mas quem mandou você ter o coração do tamanho do mundo?! Eu posso confundir, então eu guardo a saudades num potinho, e logo logo eu solto ela no chão pra sair correndo quando te ver. Ela vai agarrar no teu pé e vai refletir em mim em forma de sorriso.

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